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No meio da mata tinha um palacete. Tinha um palacete no meio da mata. Já imaginou um palacete da época dos séculos XIX e XX, construído em meio à mata? Assim poderia começar a ser escrita a história do Palacete do Conde do Itamaraty, localizada no bairro da Tijuca, zona Norte do Rio, na região do Alto da Boa Vista.

Quem passa “pelo Alto”, como falam os cariocas, se depara com uma grande diversidade de estilos de imóveis, sejam construções mais antigas e clássicas até as mais modernas e luxuosas. Conhecido por abrigar muitas casas de festas de casamento e formaturas, o bairro mistura novas edificações e arranha-céus àquelas das antigas, e entre elas, está o palacete que pertenceu ao Conde de Itamaraty. Mas antes de falar do palacete e sua história, é importante falar sobre quem foi o Conde e a sua importância para a história do Rio de Janeiro.

Francisco José da Rocha Leão, esse foi o Conde de Itamaraty, que nasceu no dia 12 de fevereiro de 1806 no Porto, em Portugal. Chegou ao Brasil ainda pequeno, aos dois anos de idade. Era filho de Francisco José da Rocha Leão, 1º Barão de Itamaraty. Historiadores explicam que o então Conde de Itamaraty era negociante matriculado em 1822, um grande capitalista e proprietário. Por influência militar de seu pai, também militar, foi coronel-comandante da Guarda Nacional da Corte, membro da Junta Administrativa da Caixa de Amortização, da Caixa Econômica e Monte de Socorro e sócio fundador do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura, entre outros.

A história do Palacete do Itamaraty começa com sua construção projetada por José Maria Jacintho Rebello, na área de proteção paisagística do Parque Nacional da Tijuca, que compreende a Serra dos Três Rios, Serra da Carioca e o Maciço da Gávea.

O Palacete do Itamaraty era utilizado como casa de veraneio e foi apelidado de “segundo Itamaraty”. A casa foi construída anos depois da construção do Palácio Itamaraty, que fica na Avenida Marechal Floriano, entre 1851 e 1854, uma nobre residência, que mais tarde chegou a ser a sede do governo da república até 1897 e sede do Ministério das Relações Exteriores. Era uma área residencial mais usada para celebrações de família.

Foi a primeira casa a possuir piscina particular no Rio de Janeiro, possuindo acesso direto ao rio que nomeou o bairro e uma gruta, sendo delimitado por um muro com gradil de ferro.

O palacete era composto por três blocos separados. Um deles abrigava uma capela. O terreno parcialmente plano e parcialmente em declive, por isso contava com outros ambientes mais rústicos, como o jardim, uma horta, gruta e lagos.

O prédio principal em formato de H era composto por dois blocos diferentes, um voltado para a fachada e seu corpo possuía apenas um pavimento, e o posterior que era alinhado com o da fachada possuía três, desalinhado em relação aos outros devido ao desnível do terreno. Acontecia que o acesso pelo fluxo interno precisava ser diretamente pelo segundo pavimento.

Foi todo construído em pedra, madeira e tijolo. Comum nas casas mais antigas, o porão ajudava a arejar e a circular o ar por baixo das tábuas, o que criava uma espécie de isolamento da umidade do chão.

O Palacete do Conde de Itamaraty foi tombado por sua importância arquitetônica, histórica e cultural. Segundo o INEPAC – Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, foi atribuído o nome Palacete do Conde de Itamaraty e o processo E-03/33.716/78 ao seu tombamento. Está localizado na R. Boa Vista, n°118 (antigo nº 12) – Alto da Boa Vista – Rio de Janeiro-RJ. Constam duas datas de tombamento, o provisório, ocorrido em 14/12/1978 e o definitivo ocorrido um ano depois, quase um ano depois, 14/03/1979.

“O palacete neoclássico, com fachadas simétricas e vocabulário neoclássico, é uma singela miniatura campestre das grandes composições urbanas apalacetadas da época de d. Pedro II. O apainelamento do corpo central reflete a modulação da solução em planta. A ornamentação clássica com pilares jônicos, cunhais em cantaria e entablamento foi combinada a guarda-corpos de ferro forjado e figuras de louça nas prumadas dos pilares”, segundo consta na descrição do imóvel, no cadastramento do mesmo no site do INEPAC.

Fonte: Assessoria de comunicação – CNB/RJ

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