Prédio histórico na Tijuca abriga a primeira filial da rede no Rio de Janeiro, inaugurada em 1917
Quem não reconhece o famoso polvilho antisséptico, aquele de embalagem verde com uma moldura dourada. Uma fragrância melhor que a outra. Embalagens que lembram itens cosméticos vendidos nas décadas de 20 e 30, em lojas que mais pareciam farmácias, ou melhor, “pharmácias”. Essas dicas dão conta da história da rede Granado, a botica mais tradicional e antiga brasileira, fundada em 1870 por um português, José Antônio Coxito Granado.
Recém chegado no Brasil, sim, após apenas 10 anos, Coxito que era cheio de vontade de prosperar nas terras tupiniquins, fundou a Pharmácia Granado. Era Dia de Reis, 6 de janeiro, quando Coxito deu início a uma aventura que reunia mais de 300 espécies de plantas medicinais e que as transformava em produtos que em nada deixavam a desejar em relação aos vindos da Europa. Sua preocupação era constante com a adequação dos produtos às necessidades de quem vivia no Brasil.
Ilha da Saúde, localizada em Teresópolis, região serrana do Rio, era o nome da Chácara em que ele produzia as matérias-primas que logo se transformavam nos itens indispensáveis das “elegantes senhoras” da época, e que chegou a encantar até mesmo o imperador Dom Pedro II. Ele gostou tanto que concedeu à Pharmácia Granado o título de Pharmácia Oficial da Família Imperial Brasileira.
Na capital, a sede da Pharmácia Granado, onde Coxito deu início às suas criações, fica(va) bem no centro do Rio, na rua 1º de Março. Ela ainda está lá, linda e bela, embalada em um projeto de loja Conceito que logo se expandiria para todas as outras que a marca abriria. A primeira filial se encontra em uma das principais avenidas da Tijuca, bairro tradicional da zona Norte e repleto de “elegantes senhoras”, fãs dos creminhos e das fragrâncias inconfundíveis.
É em um prédio icônico, com uma construção datada de 1917, que se encontra, até os dias de hoje, a primeira filial da marca na cidade. Segundo pesquisas realizadas em sites, o prédio que abriga a loja nos dias de hoje não seria o mesmo desde a sua construção. A loja funcionava no número 304, em um pequeno sobrado, muito antes das obras realizadas para a abertura para a rua Almirante Cochrane, outra rua famosa entre os tijucanos, que fica de esquina com a rua Conde de Bonfim.
Pois bem. A marca ganhou o país. Eram lojas que não acabavam mais em cada canto, cada cidade. Uma curiosidade interessante sobre a história da botica Granado é que Coxito, com o espírito empreendedor e próspero que tinha, registrou em seu testamento, o desejo de que a empresa fosse adquirida por um estrangeiro para que assim ela ganhasse o mundo. Após três gerações em que o negócio se manteve entre os membros da família, seu neto Carlos Granado Vieira de Castro, que faleceu no ano passado aos 95 anos de causas naturais, contratou o inglês Christopher John Ogle Freeman em 1994, para que ele pudesse dar continuidade aos negócios de forma que o desejo de Coxito fosse inteiramente atendido.
Freeman foi o responsável por conectar os anos de tradição à modernidade necessária para a expansão da marca. Ele industrializou a produção, introduziu ações de marketing e de gestão, e inseriu os recursos tecnológicos necessários na empresa, mas jamais deixando de lado a qualidade dos produtos.
Dando continuidade ao crescimento da Granado, em 2005 iniciou-se o projeto de lançamento das lojas Conceito e a primeira delas a loja sede, na rua 1º de Março, no centro do Rio, a primeira loja onde Coxito iniciou seu trabalho. Até hoje, a loja exibe um acervo riquíssimo da família, e assim são todas as boutiques, com vitrines originais, embalagens centenárias, quadros que remetem aos anos 20 e 30, balanças originais analógicas e propagandas da época.
Até hoje é possível entrar em uma das lojas da Granado e sentir aquela nostalgia, mesmo que a referência às décadas passadas venha por meio de filmes, séries e novelas assistidas. Segundo registro da marca em buscas na internet, o rico e conservado acervo da família Granado é o que faz a marca ser especial.
“A primeira loja conceito da Granado foi inaugurada em 2005, no Centro do Rio de Janeiro, no que é, ainda, o primeiro endereço da farmácia, aberta em 1870. Quando começou-se a pensar na modernização da marca, ficou claro que o que a empresa tinha de mais rico era o seu acervo, muito bem conservado pela família Granado durante as três gerações em que administrou a marca. Vitrines originais, almofarizes, balanças, propagandas de época, quadros e algumas embalagens centenárias ganharam destaque na decoração. A parede de tijolos de demolição e a iluminação quente e indireta recriam o ambiente das farmácias do Século XIX.”
Inspiração para prosperar no Brasil
Em entrevista ao jornal A Noite, edição publicada no dia 12 de novembro de 1932, José Antônio Granado Coxito lançou uma fala que ficou eternizada pela marca, e que resume bem sua ambição e espírito de prosperidade ao chegar no Brasil e iniciar sua vida no Rio de Janeiro.
“Cheguei ao Rio como chega um portuguez disposto ao trabalho — com pequena mochila e animo forte! […]. O patrão dava-me casa, comida e roupa lavada. Juntei dinheiro e, ao cabo de dez annos, quando dalli sai, tinha regular pecúlio!”
Do Brasil para o mundo
A partir de 2013, a Granado voou para o mundo. O primeiro passo dado foi chegar a Paris e se apresentar em um espaço na loja de departamento Le Bon Marché. Ainda como parte da estratégia, em 2016, a empresa anunciou a venda de parte minoritária para a gigante espanhola Puig.
Completando 152 anos de história, a Granado é reconhecida por gerações de brasileiros e se firma nos mercados nacional e internacional de cosméticos, expandindo cada vez mais seu nome, qualidade e a expertise e dedicação de Coxito, legados eternizados em incríveis e coloridos frascos.
Fonte: Assessoria de Comunicação – CNB RJ – Colégio Notarial do Brasil – Seção Rio de Janeiro.



