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2º Ofício de Notas e Registro de Imóveis de Nova Iguaçu estabelece um Museu na serventia e expõe ao público documentos históricos, que remontam a história da própria cidade

A história dos cartórios está diretamente relacionada à história do Brasil, uma vez que, segundo o costume português, a instalação dos ofícios costumava ocorrer na data de fundação da cidade. Em 1565, Mem de Sá, terceiro governador-geral do País, estabelecia uma das mais antigas e históricas instituições, capaz de testemunhar fatos e momentos importantes, além de perpetuar, até os dias de hoje, provas do início da nação brasileira.

O primeiro cartório do país é conhecido hoje como o 1º Ofício de Notas, que fica no centro do Rio de Janeiro, na Rua da Quitanda, nº 50. Conta com um acervo riquíssimo, com arquivos e documentos da época de Pero da Costa, o primeiro tabelião oficialmente designado do Brasil, à época, colônia de Portugal.

De lá pra cá, muitas outras histórias se passaram. O judiciário se estabeleceu antes do extrajudicial e as duas vias se complementavam, até que a era da desjudicialização chegou, era essa em que diversos atos que rodeiam o cotidiano civil das pessoas passam a ser feitos em cartórios, dando agilidade aos processos e trazendo facilidade para as pessoas.

Mas, para que se entenda o presente e o caminho o qual ruma o futuro, é importante entender o passado. E este é o objetivo do tabelião Gilson Sant’Anna, do 2º Ofício de Notas e Registro de Imóveis de Nova Iguaçu, que está inaugurando um Museu na sua serventia. Na última terça-feira, dia 19 de novembro, aconteceu um coquetel de inauguração do museu.

Em entrevista ao Colégio Notarial do Brasil – seção Rio de Janeiro, Gilson contou como começou o seu interesse por história e por dar vida a este passado distante, mas que explica muito do que o extrajudicial vive hoje.

“Eu fiz um curso de especialização na UERJ, sobre gestão documental. Me interessei, comecei a trabalhar na Anoreg com a questão da tabela da temporalidade dos documentos notariais e registrais. Junto com os arquivistas do TJRJ que montamos, a tabela que é hoje utilizada pelo CNJ”, comenta.

Antes de entrar para o 2º Ofício em Nova Iguaçu, Gilson foi tabelião no cartório de Niterói, que tinha em seu acervo documentos de 1773. “Lá eu levantei os documentos históricos. Contratei um historiador, e tem até um material que fizemos que está no tribunal. Quando eu vim pra Nova Iguaçu, descobri que este aqui é o que tem os registros mais antigos, de 1773 e comecei a trabalhar com a restauração dos livros”.

Mais que um cartório, um museu de grandes antiguidades

Entusiasta deste meio, Gilson fala sobre a ideia de criar um museu dentro do cartório, um espaço a ser visitado pelos usuários e apreciados enquanto realizam algum serviço ou recebem atendimento dos escreventes. “Pensei em criar o museu pra divulgar para a população da cidade que o cartório guarda a memória documental de tudo que aconteceu no passado, divulgar isso para a população, para mostrar essa história da cidade.

“A gente tem que saber o passado, para entender o presente e caminhar para o futuro. Um povo sem memória é um povo sem perspectiva. E outra coisa, eu acho que os colegas deveriam também se preocupar com isso. Estimular os colegas a pensarem na conservação destes documentos e na preservação desses documentos que tem tanta história”, avalia.

Para visitação estarão expostos dois livros com escrituras de escravos, manuscritos, canetas em formato de pena, daquelas bem antigas. “A ideia de criar o museu foi minha, de colocar de pé essa função dos cartórios que é também de preservar a história da cidade, do país, deter registros importantes que servem como provas de coisas que aconteceram e que apenas ouvimos e lemos nos livros”, afirma o tabelião.

Os documentos guardados em cartórios trazem à tona indícios e provas de um desenvolvimento social e econômico pelo qual passou a cidade, as pessoas, que pode explicar ou ajudar a entender muitos dos gaps que se identifica hoje na gestão dos órgãos públicos.

Há planos para o museu ser aberto ao público e receber ilustres visitantes. A prefeitura se interessou em fazermos uma parceria com uma escola e mostrar a eles um lado dos cartórios que poucas pessoas conhecem ou reconhecem.

Texto extraído do site do 1º Ofício de Notas da capital, fundado em 1565

“Eu não estava lá quando você nasceu. É verdade. Mas de lá para cá, tenho te acompanhado de perto. Marquei presença ao longo de todas as etapas do seu crescimento. Ajudei a viabilizar a sua primeira viagem na adolescência desacompanhado dos seus pais. Lembro da sua expressão de felicidade e empolgação, diante da expectativa do primeiro voo solo.

Participei da compra do seu primeiro carro, do seu primeiro imóvel, e pude testemunhar sua alegria diante dessas conquistas. Estive ao seu lado durante o seu namoro e, depois, nos preparativos do seu casamento. Também ajudei no processo de obtenção de sua dupla cidadania e quando você decidiu deixar o país e morar no exterior.

Me mantive ao seu lado também nos dias difíceis, afinal, a vida não é só feita de dias felizes e amigo que é amigo marca presença em todos os momentos. Estive ao seu lado quando seu casamento acabou, quando seus pais morreram, e também quando você atingiu uma idade em que o seu maior desejo era deixar tudo organizado para quando você partisse, ainda que soubéssemos que esse dia ainda estava longe de chegar”.

Fonte: Assessoria de comunicação – CNB/RJ

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